O futuro do Home Office

O futuro do Home Office

Uma mudança brusca que a pandemia de Covid-19 implantou nas relações de trabalho foi a transição para o sistema de home office em grande parte das atividades não essenciais. Pessoas que estavam acostumadas a pegar trânsito todo dia, sentar em um escritório por horas, interagir com os colegas, de repente se viram obrigadas a fazer tudo de casa. De certo foi um baque para a maioria, mas depois foram sendo percebidos os benefícios desse sistema não só pela segurança frente a uma pandemia, mas também por questões financeiras e o conforto dos trabalhadores. Agora, diversas projeções são feitas acerca do futuro do teletrabalho no pós-pandemia, e ele pode ter vindo para ficar.

Home Office em números

– Em maio, um estudo da Cushman&Wakefield mostrou que 40,2% das empresas não usavam o sistema de teletrabalho antes das recomendações de isolamento social, mas pretendiam adotá-lo mesmo com o fim da pandemia.
– Levantamento da empresa de recrutamento Robert Half divulgado em junho mostrou que 86% dos entrevistados gostariam de trabalhar remotamente com mais frequência do que antes da pandemia, e 77% planejam agendar menos reuniões presenciais.

Home office e saúde mental

Um fator importante a ser considerado é a saúde mental dos trabalhadores nesse contexto. Por um lado, poder trabalhar de casa significa ter maior contato com a família, poder fazer refeições juntos, passar mais momentos de qualidade e maior flexibilização no horário. Por outro, a flexibilização é tanta que muitos não conseguem delimitar horários de trabalho e lazer. O estudo da Robert Half mencionado acima mostra também que 52% dos entrevistados afimaram trabalhar mais no home office que no presencial. Além disso, estar confinado no mesmo ambiente pode amplificar conflitos, causar ansiedade e gatilhos emocionais. Também vale lembrar que nem todos têm uma situação domiciliar favorável. Por isso, é importante que haja um diálogo direto com esses trabalhadores, para garantir uma manutenção tanto da segurança física quanto mental.

Home office hoje

Agora que já estamos em outubro, e mesmo estando longe do fim da pandemia, muitas empresas de serviços não essenciais já flexibilizam o teletrabalho. Muitas mesmo voltaram completamente com o regime presencial. É importante ressaltar que, mesmo com o uso de máscaras, aglomerações em espaços pequenos e fechados, como escritórios, ainda apresentam riscos de contaminação.
Empresas que trabalham muito com internet, por exemplo, vêem uma menor necessidade de retornar ao presencial, uma vez que grande parte das atividades se resolve através da tela do computador. E como as tecnologias estão cada vez mais presentes, essa possibilidade se torna mais real para os mais diversos ramos no mercado de trabalho. Logo, para muita gente não faz mais sentido ter um escritório físico, que gasta dinheiro, demanda locomoção e manutenção. Mas seja esse seu caso ou não, o home office traz lições valiosas de como percebemos as relações de trabalho e impõe grandes mudanças estruturais.

16 outubro 2020