Marketing Inclusivo: o que você precisa saber sobre Marketing e representatividade

Marketing Inclusivo: o que você precisa saber sobre Marketing e representatividade

São várias as tendências no Marketing hoje que se mostram abertas e atentas às mudanças no campo social, sendo uma delas o Marketing Inclusivo.

A relação do Marketing, e da mídia e geral, com a sociedade é de certa forma retroalimentada: um influencia no outro o tempo todo. Dessa forma, podemos avaliar no Marketing um movimento que vem pelo menos desde os anos 1980 e 1990 seguindo movimentações na esfera civil de lutas por causas sociais representadas por exemplo pelo movimento das mulheres, dos negros e dos LGBTQIA+.

Esse momento histórico foi de muito rebuliço nas mobilizações em prol dos direitos humanos, justiça social e liberdades individuais. Podemos pensar na luta das mulheres por libertação sexual, na chamada terceira onda do feminismo; na luta LGBTQIA+ que culminou na retirada da homossexualidade do hall de doenças da OMS em 1990; da luta pós-Movimentos Civis das populações negras que agora buscavam por mais representação política, entre outras coisas.

O que isso tudo tem a ver com o Marketing? Bom, tudo!

Como um campo que lida diretamente com os comportamentos, afetividades e interesses humanos, é dever do Marketing estar atento aos debates e mudanças na esfera pública todo o tempo. Com maior interesse por esses assuntos e um despertar muito intenso para questões de desigualdade social, é natural que o Marketing também dê uma guinada por entender que as demandas agora são outras. E se isso era verdade em 1990, agora é ainda mais.

Vimos na internet uma potencialização e aceleração desse fenômeno tamanha que hoje assistimos a propagandas de 10, 15 anos atrás e temos a certeza de que não “envelheceram bem”. Isso porque a sociedade de hoje como um todo tem uma consciência social mais aguçada que não perdoa preconceitos e violências que por muito tempo foram disfarçadas de “humor”.

Dessa forma, vemos hoje por exemplo campanhas de produtos femininos apresentando todos os tipos de corpos: gordas, magras, negras, velhas, novas, PCDs (pessoas com deficiência), com certeza algo que tempos atrás incomum. Campanhas de marcas enormes como O Boticário fazendo campanha de Dia dos Namorados com casais LGBTQIA+ – não sem encontrar reclamação por parte dos mais conservadores.

Aí mora uma palavra muito popular, a tal da representatividade. O conceito é basicamente esse, de representação de identidades marginalizadas socialmente em produtos da mídia, como filmes, séries, livros, propagandas, no jornalismo etc.

E certamente isso é ótimo! Com certeza ver seu corpo representado (e de certa forma legitimado) na mídia é ótimo e acolhedor, principalmente para populações que tiveram isso negado por tanto tempo. Mas representatividade por representatividade não resolve os problemas do mundo, e a luta dos movimentos sociais que conquistaram esse espaço ainda tem muito chão.

Mas fato é que as marcas têm que se atentar cada vez mais a questões como essa, pois as demandas por um marketing mais humanizado, responsável e consciente só crescem! E as maneiras de fazer um Marketing Inclusivo são muitas, mas começam de um ponto de partida simples: escuta! É fundamental que se escute as demandas, dores e dificuldades dos grupos que se quer ser mais inclusivo, para construir estratégias e campanhas mais eficientes. Além disso, três fatores são muito importantes:

  • Relevância

    A relevância da campanha/estratégia frente a sociedade e frente à marca e sua identidade em si.

  • Impacto

    Um Marketing Inclusivo deveria buscar impacto, por menor que seja, dentro de uma comunidade específica ou no país inteiro.

  • Propósito

    Como falamos, não basta uma representatividade vazia, é necessário que haja um propósito concreto por trás e que este seja coerente com a marca no dia-a-dia. Por exemplo, se vamos incluir PCDs em campanhas de marketing, por que não incluir essas pessoas também no quadro de colaboradores, apostando em processos seletivos inclusivos?

Cada marca e cada estratégia é diferente, mas baseando-se nesses três preceitos guiados por uma escuta ativa às vozes destoantes e aos temas latentes é que podemos promover mais inclusão.

18 março 2021