E agora, trabalhar no que gosta ou no que dá dinheiro?

É muito comum encontrarmos pessoas insatisfeitas profissionalmente porque direcionaram suas carreiras pensando exclusivamente no retorno financeiro em detrimento da satisfação pessoal. A realidade é que nem sempre é possível conciliar o emprego que a gente sempre sonhou com aquele que paga melhor. Mas uma reportagem publicada no site da UOL mostrou que tem gente que escolhe fazer as duas coisas e para dar conta de tanto trabalho, tem que se dividir, literalmente, em dois. É o caso do jovem Daniel Guedes, que como mostra a matéria, trabalha durante a semana com publicidade e nos fins de semana como produtor musical. Entretanto, ele admite: “Estou tentando escolher uma. Trabalho como publicitário há sete anos, mas a minha preferência é a música”.

Outros casos semelhantes foram mostrados, como o do analista de sistemas que concilia a carreira de psicólogo, Erich Hakura. “Antes de eu fazer uma faculdade de psicologia eu já trabalhava com informática exatamente pra pagar o curso. Os componentes eletrônicos e a informática de uma maneira geral sempre foram umas das minhas grandes paixões e depois que eu me formei continuei levando esses dois empregos e levo até hoje”.

Um caso interessante é o do médico e ao mesmo tempo produtor de teatro Paulo Ribeiro, que decidiu trocar a medicina pelas artes depois que completou 40 anos. “Numa certa idade os nossos horizontes diminuem e daí a gente percebe que algumas coisas que não fizemos vamos continuar sem fazer e que outras, se não realizarmos naquele momento, também não faremos mais na vida. Foi nesse momento que eu resolvi entrar pra uma escola de teatro”.

Mas como harmonizar profissões tão distintas? Para Erich Hakura, “é um pouco complicado pra trocar o canal”. Já Paulo Ribeiro confessou que durante muito tempo manteve as duas ocupações bem separadas, mas aos poucos elas foram se fundindo de uma maneira muito saudável. “O teatro era o teatro, a medicina era a medicina e as coisas não se misturavam. À medida que eu fui amadurecendo no teatro, as atividades começaram a se fundir e hoje elas estão muito juntas. Por exemplo, eu trabalho com teatro dentro do hospital e algumas pessoas me conhecem às vezes até mais como o diretor do teatro do que como médico”, completou. Indagado sobre qual optaria se tivesse que abrir mão de uma, respondeu: “Eu acho que abandonaria o teatro, mas por uma questão de sobrevivência. Talvez eu vivesse mais rico, mas bem menos feliz”.

Todos os entrevistados foram unânimes num ponto: o entusiasmo no que se faz. Se o emprego não proporcionar prazer e satisfação pessoal, não vale à pena nem por muito dinheiro.

5 novembro 2017