A evolução da comunicação sindical

A comunicação, naturalmente, já passou por diversas transformações e progressos e, ainda hoje, atravessa novos percursos. Esses avanços na maneira em que nos comunicamos podem ser notados em todas as esferas sociais e, assim como o alcance da rápida tecnologia, os novos meios de comunicação ultrapassam barreiras a cada momento. Na comunicação sindical, podemos notar um grande progresso que vem desde os panfletos, distribuídos pelos sindicatos nas portas das fábricas, até os mecanismos mais atuais liderados pela Internet.

A trajetória da comunicação sindical se confunde com a história da organização dos trabalhadores. Para entender melhor, temos que voltar a 1958, data em que foi deflagrada a primeira greve de uma associação classista brasileira, chamada Imperial Associação Tipográfica Fluminense. Os tipógrafos foram também os pioneiros na criação de um meio de comunicação periódico para a defesa de suas ideias, fato que ocorreu após o fim da paralisação.

Como acontece ainda hoje, as primeiras manifestações sindicais foram ignoradas ou criticadas por veículos comerciais na época e, desta forma, a classe operária sentiu a necessidade de criar métodos de comunicação próprios. Porém, enfrentou muitas dificuldades, principalmente financeiras, para manter a periodicidade desses meios, que sobreviviam através de contribuições voluntárias. Dessa forma, nasceram as primeiras publicações impressas sindicais, que foram aumentando e se fortalecendo conforme as associações sindicais cresciam em quantidade.

Com o avanços dos anos, mais precisamente no governo Getúlio Vargas (1930 a 1945), os sindicatos passam a sofrer um rígido controle do Estado e, com isso, seus periódicos e panfletos sofrem baixa em termos de tiragens. E, diminuindo ainda mais os meios de comunicação sindical, após o golpe militar em 1964, muitos sindicatos foram censurados e até fechados, com o desaparecimento de diversas lideranças sindicais. Mais uma vez, a comunicação sindical sofre as consequências da repressão com queda de produção.

Durante 1974, as entidades sindicais passam a assumir um novo papel na luta contra a ditadura militar. As articulações culminam na criação de uma central sindical, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983, em São Paulo. Desde então, dezenas de encontros foram realizados com o objetivo de discutir a comunicação em diversas entidades. Nesse momento, houve um aumento expressivo nas tiragens impressas, além de passarem a utilizar o rádio e a televisão como meios de propagação das ideias sindicais.

A partir daí, a necessidade de comunicar-se com a categoria e com a sociedade é cada vez mais reconhecida pelos dirigentes sindicais. Enquanto isso, as associações de empregados crescem continuamente pelo país e a CUT começa a reforçar sua imagem através de campanhas pelos diversos meios de comunicação contribuindo, assim, para massificar as propostas da Central. Porém, a linguagem desses meios de comunicação sindical foi se tornando de difícil acesso até mesmo paras os trabalhadores.

Salvo algumas exceções, o tom desses veículos era autoritário demais, chegando a fazer uso de desgastadas palavras de ordem e slogans da “esquerda”. Os sindicatos que conseguiam manter a pluralidade em sua comunicação obtiveram maior êxito e número de associados, pois realizavam um trabalho diferenciado, enfocando assuntos variados sem se prender apenas à agenda de lutas políticas e econômicas.

Com o surgimento da Internet, os meios de comunicação e as relações sociais foram altamente transformadas. E, no mundo atual, a utilização da web como ferramenta de comunicação já não é mais considerada um diferencial, mas sim um item obrigatório e, obviamente, os sindicatos não poderiam ficar de fora desse sistema, pois o trânsito de usuários nessa mídia é muito superior a de qualquer outra já vista, ultrapassando até mesmo a televisão.

Os sindicatos mais avançados em sua comunicação possuem ainda suas publicações impressas como os jornais, revistas, informativos, entre outros. Mas também estão utilizando da Internet como principal aliada na propagação de suas ideias na busca por sensibilizar os trabalhadores para a defesa dos seus direitos e repercutindo suas lutas e conquistas junto aos diversos públicos. Na Internet, a comunicação sindical utiliza diversas ferramentas como sites, blogs, e-mails marketing, mídias sociais, vídeos, web TV, entre outros.

No que tange a comunicação dos sindicatos podemos dizer que sua evolução foi rápida seguindo os padrões da comunicação comercial, mas sempre com o objetivo de divulgar suas ações junto aos direitos dos trabalhadores, além de focar nos resultados dos Acordos Coletivos de Trabalho (ACT), considerados até hoje o ápice das luta sindical brasileira, momento de negociação salarial com os patrões.

Sendo assim, concluímos que a comunicação sindical caminhou a curtos passos até a criação da CUT e, após esse período, novos sindicatos foram sendo criados e os trabalhadores atribuíram mais valor às suas entidades representativas de classe, que passaram então a melhorar sua forma de comunicação. Já aqueles que ainda mantêm o mesmo ritmo de autoritarismo e assuntos não tão chamativos aos olhos de seus associados deveriam repensar sua maneira de fazer comunicação e planejar, daqui pra frente, um futuro de conteúdos sindicais interessantes ao seu principal público.

 

11 outubro 2017